O Governo do Amazonas, através da Secretaria de Estado de Mineração,
Geodiversidade e Recursos Hídricos (Semgrh), junto a instituições federais –
Serviço Geológico do Brasil (CPRM) e Agência Nacional de Águas (ANA) –,
divulgou nesta sexta-feira, 30 de agosto, a avaliação sobre o comportamento do
rio Solimões neste mês, período inicial da vazante. Segundo as últimas
medições, realizadas ao longo desta semana, a descida das águas no Solimões
está dentro da normalidade, com volume e velocidade de água marcando em média
113.000m3por segundo.
As medições no Solimões acompanham um Programa Internacional de
Medição de Descarga Líquida em Grandes Rios, que, além da função de coletar as
informações hidrológicas da região, tem a missão de capacitar profissionais
brasileiros e de países vizinhos que atuam nesta área. A equipe de
profissionais de países como Peru, Colômbia, Equador, Venezuela, Bolívia e
Uruguai está instalada desde o último domingo, dia 22, no município de
Manacapuru (a 68 quilômetros de Manaus), onde foram realizadas todas as
medições.
A presença de países vizinhos é considerada importante, segundo o
superintendente de Gestão da Rede Hidrometereológica da Agência Nacional de
Águas (ANA), Valdemar Guimarães. O especialista destacou que é preciso
compartilhar as técnicas de medição aplicadas na região, uma vez que a
composição do rio Amazonas vem das nascentes de países como a Bolívia, Peru,
Equador, ou seja, dos países andinos. “O Amazonas é a última rota destas águas
doces antes de elas irem para o Mar”, pontuou.
O comportamento da subida e descida dos rios conta com algumas
técnicas de medição e equipamentos de última geração. A capacitação dos
técnicos para administrar essa tecnologia é um dos pontos chave que promoveu o
intercâmbio desses profissionais no Amazonas. “É importante que o técnico lá do
Equador tenha os mesmos conhecimentos e técnicas do profissional que atua aqui
no Amazonas”, frisou Valdemar.
Técnicas – Para chegar à média de 113.000m3 por segundo, os
técnicos associam algumas técnicas de medição. Primeiro é definido o local para
as medições – um trecho do rio Solimões, a 20 minutos de Manacapuru. Neste
local é instalado na água um equipamento de pulsão que mede o fluxo, volume e
profundidade. A técnica é repetida com o barco em movimento e parado.
Outro parâmetro menos preciso, porém importante, é realizado
diariamente por uma pessoa designada pela CPRM. Todos os dias o responsável faz
a medição da subida e descida da água com base numa régua instalada à margem do
rio. Todas as informações são incorporadas mensalmente ao banco de dados da
Agência Nacional de Águas (ANA).
Compartilhamento de informações em nível estadual – Desde março
deste ano as informações captadas e gerenciadas pelos entes federais (CPRM e
ANA) também são compartilhadas com a Central de Monitoramento Hidrológico
(Cemoham), montada pelo Governo do Estado e gerenciada pela Secretaria de
Estado de Mineração, Geodiversidade e Recursos Hídricos (Semgrh). O
Cemoham vai permitir que o Governo do Amazonas tenha acesso, em tempo real, às
informações das mais de 300 estações hidrometereológicas espalhadas pelos rios
do Amazonas e antecipe as ações preventivas aos eventos críticos que ocorrem no
Estado, como por exemplo, a cheia histórica de 2012.
De acordo com o titular da Semgrh, Daniel Nava, a partir da entrada em
operação do Cemoham, o Amazonas amplia sua capacidade de previsão, minimizando
os impactos junto às populações ribeirinhas atingidas por grandes cheias e
vazantes. “Vai nos permitir fazer uso de um planejamento para o enfrentamento
desses eventos, como por exemplo, a aquisição de equipamento e bens necessários
para atender essas populações”, disse o secretário.
CRÉDITO DAS FOTOS: ROBERTO CARLOS / AGECOM