Glória, bairro de Manaus
Com a instalação Abatedouro chamado de
Matadouro no bairro de são Raimundo, à beira do igarapé do mesmo nome,
no início do século XX, surge o bairro da Glória, conhecido na época
apenas por Matadouro, pois em 1912, foi instalado no local o matadouro
municipal dando o primeiro nome à comunidade. A área, como ainda não era
habitada, serviu para habitação dos operários destas indústrias, que
passaram a morar no entorno do abatedouro por serpróximo ao emprego. Nos
anos 1953, o bairro começa a crescer com a chegada dos interioranos
fugidos da grande enchente, quando os padres que serviam na paróquia de
São Raimundo iniciaram a assistência aos desabrigados. Em forma de
mutirão, os comunitários ergueram a igreja de Nossa Senhora da Glória e,
em homenagem à santa, o bairro passou a se chamar Nossa Senhora da
Glória. Construções e desenvolvimento O bairro, por ser próximo ao
Centro, teve logo suas ruas principais asfaltadas e água encanada. Nas
décadas de 80 e 90, com o advento da Zona Franca de Manaus, o bairro
sentiu algumas transformações urbanas, como a construção do Mercado da
Glória, da Quadra poliesportiva e urbanização da praça, que é muito
conhecida pelos festejos do dia da Santa, pela sua tradição no futebol
com o Glorioso Sul América futebol Clube e suas rivalidade com São
Raimundo Futebol clube, clássico Tradicionalmente conhecido como Galo
Preto e famosa Participação Cultural como as Danças Folclórica ( dança
Internacional Dabke, dança Nacional do Café, dança da Cerveja e outras
mas..., sendo muito freqüentada pelos moradores dos bairros vizinhos. O
bairro da Glória se orgulha de ter atravessado as piores fases de uma
comunidade em desenvolvimento e hoje estar vivendo melhor. O bairro por
muitos anos foi temido por conta da onda de violência que dominava o
local e por jovens entrando no mundo das drogas. Mesmo o bairro não
possuindo uma associação de moradores representativa, a igreja
desenvolve trabalhos nas pastorais, com o auxílio das principais
lideranças e já conseguiu reduzir o índice de criminalidade e de
juventude nas drogas, dando um pontapé inicial para uma fase de
desenvolvimento humano na comunidade. Há a necessidade de o poder
público agir com mais freqüência através de melhoria nas diversas áreas.
O bairro conta também com o mercado municipal, que fica ao lado do
tradicional campo do Sul América, com boxes de venda de pescado e
mercadorias de consumo em geral. O lugar onde antes funcionava o
matadouro, hoje cedeu lugar para as instalações da Fundação Nacional de
Saúde (FVS). A quadra de esporte foi construída na praça, que possui
ainda uma área coberta abrigando a Praça de alimentação, uma casa
lotérica e uma banca de revista. Na rua principal, Lourival Muniz,
também tem um posto de gasolina, várias lojas, drogarias, escolas de
ensino infantil, cartório e o Posto de Saúde Deodato de Miranda Leão. O
bairro também conta com as escolas estaduais Joana Rodrigues Vieira,
para portadores de necessidades especiais (visual), Antônio Bittencourt,
na rua Presidente Dutra, e com a escola Nossa Senhora da Glória, na
Lourival Muniz. Localização O bairro da Glória está localizado na Zona
Oeste, com uma superfície de 115 hectares, tendo seu ponto inicial na
avenida Presidente Dutra, seguindo até o igarapé do São Raimundo e
retornando pela Lourival Muniz. A Glória faz fronteira com os bairros do
São Raimundo, Santo Antônio e Aparecida. Sul América Esporte Clube
Fundado em 1º de maio de 1932, por um grupo de jovens do bairro da
Glória, o Sul América Esporte Clube valoriza o patriotismo dos países da
América do Sul. Ele ganhou o título em 1992 e em 1993, quando formou um
time de grande força para enfrentar o do São Raimundo. Entre 1938 e
1941 o clube foi desativado, por diversas razões, retornando 1942, o
"Trem da Colina teve seu sonho bicolor levado adiante. O Centro de
atendimento a Comunitário (CAC) do Bairro da Glória faz parte de
complexo de Atendimento que Abriga Vários Seguimentos como o Grupo da
terceira Idade (Associação dos Idosas
da Glória), A Comissão de
Desenvolvimento e esportes da Glória (CODEG) e gerenciado pela
Prefeitura de Manaus em convênio com governo do Estado. O centro social
possui grupos de assistentes sociais e psicólogos, que só em Manaus
atuam em mais de 48 centros, as chamadas "Casas do Cidadão",
trabalhando também com os programas do governo federal, como Bolsa
Família e Bolsa Escola. O centro funciona desde março de 2000 e já
entregou certificado a mais de duas mil pessoas, As atividades são as
mais diversas,
desde cursos de secretariado e auxiliar administrativo, crochê, cabeleireiro,
artesanato, até aulas de reforço para crianças, cinqüenta delas crianças
atualmente, e corte de cabelo gratuitos. O local também funciona como
sede para a Associação da Terceira Idade e para a Liga Desportiva do
Bairro, sendo também cedida para eventos, como palestras, aniversários,
reuniões e mutirões para expedição de documentos. Fonte: Jornal do
Comércio Portal
Amazônia - NR
São Raimundo, bairro de Manaus
A ocupação da área onde hoje está localizado o bairro do São Raimundo
teve início em 1849, quando o governo do estado doou ao Seminário São
José o terreno que foi incorporado ao patrimônio da instituição
religiosa. Na época, o bispo Dom Lourenço da Costa Aguiar resolve lotear
uma parte das terras para pessoas de baixa renda, que construíram as
primeiras casas nos terrenos, pagos com quantia mensal denominada de
"foros da igreja", cuja administração e cobrança, em nome da diocese,
estava a cargo de Belmiro Bernardo da Costa. Os primeiros moradores
sanaram as dívidas com a diocese em cerca de trinta anos. Segundo o
livro de tombo da paróquia de São Raimundo, uma das primeiras famílias a
se estabelecer na área do bairro foi a de Bernardino de Sena e Cândida
Maria Anunciação, ambos do Ceará, que vieram para Manaus a procura de
trabalho e, posteriormente, trouxeram também seus filhos Elizardo, José,
Antônio, Joaquim, Martino, Tereza, Luis e Joana. A princípio
construíram suas casas à beira do rio Negro. Naquela época já existia a
família de João Caboclo, o pescador Manuel Salgado, o embarcadiço José
Olímpio e o ajudante Lucas. Distante de suas casas, eles construíram um
depósito de lenha para abastecer os navios que atracavam no porto
próximo a rua da Boa Vista. Essas famílias também praticavam a caça e a
pesca para o próprio sustento e a venda nos mercados e feiras de Manaus.
Ainda conforme registro do livro da paróquia, em 1877 chega para morar
no bairro o senhor Bernardino, juntamente com sua filha de nome Luzia,
que permaneceu solteira e se dedicava às causas sociais das pessoas
carentes, falecendo em 1938, aos 98 anos. Aos poucos foi crescendo o
número de casas e habitantes. Bernardino, católico fervoroso começou a
solicitar a presença de sacerdotes para a celebração do santo sacrifício
do altar. Nas datas festivas, Luzia se encarregava dos preparativos do
grande evento e o local se tornava um grande arraial iluminado pelos
lampiões de gás. Os religiosos participavam do evento pedindo donativos
emprestados de outras localidades para armarem o altar
num barracão
onde guardavam ferramentas para derrubada das matas. Foi nesta ocasião
que, a pedido de Bernardino, apareceu na comunidade o recém ordenado
padre Raimundo Amâncio de Miranda, filho do município de Maués, trazendo
consigo a imagem de São Raimundo Nonato, medindo cerca de 40
centímetros. Imagem que Luzia colocava sempre no centro do altar nos
dias de festas e celebrações. Quando o padre Raimundo Amâncio deixou a
comunidade, esta ficou sob a responsabilidade de Raimundo Limão, com a
missão de dar prosseguimento às reverências ao santo. A presença da
imagem estava tão forte e impregnada na pequena comunidade que logo o
cemitério também foi batizado com o nome do santo. Aproveitando o
ensejo, o bairro logo em seguida recebia também a mesma denominação, ou
seja, São Raimundo. Urbanização Padre Amâncio continuou ainda em Manaus e
fundou também a Irmandade do Santíssimo Sacramento em 1890, sendo em
seguida ordenado monsenhor da igreja católica e faleceu em 27 de
novembro de 1901. Em 1933, o novo pároco da comunidade, padre Carlos
recuperou a imagem e colocou permanente nas reuniões festivas do curato.
Na virado do século XX, o bairro entra em processo de urbanização, com
abertura de novas ruas, onde novas casas foram sendo construídas por
moradores, em sua maioria, vindos do interior ou de outros estados
brasileiros. Nesta época, segundo consta no livro tombo da paróquia, os
terrenos tinham o aval da diocese e, afastado do Centro da cidade, eram
próprios para pessoas menos "civilizadas". Até 1919, continua os
registros da paróquia, "o lugar era mal afamado devido os constantes
conflitos, povo inculto e sem profissão fixa. Os homens eram tidos como
os valentões do lugar, sempre com revólveres na cintura e facas à
mostra". Os mais temidos eram Chico Preto, Manuel Francisco e Lezarrão
que enfrentavam os vigilantes da polícia constantemente. Matadouro
municipal antecipa mudanças e atrai moradores As mudanças no bairro
começam a acontecer mais rapidamente a partir de 1912, quando é
construído o matadouro municipal, em terras onde hoje está localizado o
bairro da Glória. A chegada do matadouro, também conhecido por Curre,
serviu para atrair mais pessoas para o bairro, agora capaz de oferecer
emprego aos seus moradores. O local sofreu uma expansão demográfica tão
acelerada que imediatamente surgiu um novo bairro, o do Matadouro,
depois Glória.
Parabéns pelos 104 anos.