segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Assistencialismo ‘movimenta’ gabinetes e corredores da ALE

21 Fev 2011 .

Presidente da Assembleia afirma que desconhecer pedidos de ajuda em dinheiro.
Manaus - Duas semanas após o início da nova legislatura da Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE), eleitores de Manaus e do interior já iniciaram a peregrinação aos gabinetes e corredores da Casa para cobrar o voto nas últimas eleições na forma de ‘ajuda’. Os pedimos vão desde passagens áreas, realização de festas e outros tipos de favores.
A funcionária pública Izete Brandão, 50, afirmou que conseguiu uma ‘contribuição’ de R$ 200 do deputado Sidney Leite (DEM) na última terça-feira, para a festa de formatura do filho dela. Ela contou que primeiro pediu no gabinete do deputado, mas como não recebeu nada, esperou o fim da sessão ordinária para falar diretamente com o parlamentar. “O Sidney é meu conterrâneo de Maués, eu votei nele e vim pedir uma ajuda. Não ganhei quanto eu precisava, mas (R$ 200) já é alguma coisa”, avalia a funcionária pública. O deputado negou a ajuda em dinheiro.
Norma Lúcia dos Santos, 39, foi à ALE na quarta-feira pedir duas passagens de avião de Barrerinha (a 331 quilômetros a leste de Manaus) para a capital do Estado. Ela disse que tentou falar com os deputados Fausto Souza (PP) e Tony Medeiros (PSL), mas desta vez não obteve sucesso. “Eu sempre consegui ajuda com os políticos, como cesta-básica, dinheiro ou transporte”, relata. Na quarta-feira o deficiente visual Azam Medeiros, 18, entregou o currículo dele no gabinete de vários deputados, mas não teve nenhuma resposta concreta. Impaciente, ele reclamou que durante as eleições o acesso aos políticos era mais fácil. “Agora eles só falam para a gente resolver com os assessores, e não cumprem o que prometeram quando pediram nosso voto”. Para o deputado Sidney Leite, o assistencialismo é cultural na política amazonense, e pode ser justificado onde o poder público não chega com eficiência. “É importante dizer que não só os eleitores pobres que pedem. Recebemos muitas pessoas da classe média também”. O deputado negou que tenha dado dinheiro para realização da festa de formatura, e que contribui apenas em casos de saúde.
O presidente da ALE, Ricardo Nicolau, disse que desconhece que algum deputado “ajude” o público com dinheiro, e disse que a prática não faz parte das prerrogativas do parlamento. Nicolau informou que todos os visitantes são registrados na recepção da Casa, e direcionados aos gabinetes dos deputados sem informar o assunto que vão tratar. O presidente não soube dizer quantas pessoas visitam a Assembleia, em média, por dia.  “Nós recebemos denúncias, informações, não atendemos pedidos pessoais. Até porque se um deputado desse dinheiro para um cidadão, no dia seguinte haveria uma fila de dez mil pessoas no gabinete de cada um deles”. O juiz eleitoral  juiz Vasco Amaral informou que fora do período eleitoral não é crime o deputado doar dinheiro ou outro tipo de benefício aos eleitores, desde que os bens sejam próprios. O magistrado considera que do ponto e vista ético esse tipo de conduta é amoral. “Essa concessão de favores é uma forma de manter a fidelidade do eleitor,  sou contra. Inclusive isso é alvo de muitas investigações do Ministério Público Eleitoral (MPE)”, acrescentou o juiz.

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